Colaboradoras do Instituto compartilharam suas vivências dentro e fora do espaço de trabalho.
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) promoveu, nesta sexta-feira (5), o bate-papo “Visão e Inclusão: Vivências da Pessoa com Deficiência”, realizado na sede administrativa. A atividade, organizada pelo Núcleo de Cultura, Desenvolvimento e Comunicação Interna (NUCDC) da Gerência de Desenvolvimento Humano (GEDEH), integrou as ações em alusão ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro.
A roda de conversa foi mediada por Narla Ribeiro, analista e Pessoa com Deficiência (PcD) desde os sete anos, quando recebeu o diagnóstico de doença renal crônica. Narla ingressou no IgesDF em 2023 por meio de vaga inclusiva e relata ter encontrado acolhimento desde o primeiro dia.
“Por eu ter uma deficiência oculta, que não é percebida facilmente, muitos não sabiam qual era minha condição, mas nunca tive problema em explicar sobre a minha doença. Meus colegas sempre tiveram muita paciência e me acolheram, principalmente quando eu vinha trabalhar no dia seguinte da hemodiálise e após o transplante de rim. Todos têm um cuidado comigo que me faz sentir muito grata”, destacou.
Ao reunir colaboradoras com diferentes deficiências, o evento ampliou o debate sobre inclusão, acessibilidade e pertencimento, trazendo percepções sensíveis sobre desafios diários e transformações possíveis dentro e fora do ambiente de trabalho.
Uma das participantes, Elane Mariano, nasceu com fenda palatina, condição que afeta a fala e que já lhe causou desconfortos e até reprovações em processos seletivos. No Instituto, ela encontra apoio para enfrentar limitações, superar inseguranças e assumir novos papéis.
“Eu nunca me imaginei falando no microfone. Eu quis desistir de participar dessa conversa quando soube como seria a apresentação, mas o pessoal do meu núcleo me incentivou a participar. Eu me senti muito acolhida por eles me verem além da minha deficiência”, compartilhou.
Laine Baião, da Assessoria da Presidência (ASPRE), tornou-se PcD há dois anos após uma cirurgia na coluna lombar que comprometeu os movimentos do pé direito. A partir dessa experiência, ela passou a observar com mais atenção as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência e a importância da empatia no cotidiano.
“Estar aqui hoje conversando com vocês é um momento muito importante para mim. É a primeira vez que estou me colocando à frente como uma pessoa com deficiência. Eu digo a vocês: respeitem, observem, sejam educados com as outras pessoas, peçam ao Estado mais acessibilidade nas ruas. Não podemos ter certeza de que não nos tornaremos PcD em algum momento da vida. Lembrem que existem as deficiências ocultas e que não sabemos o que se passa na vida dos outros, que por fora podem parecer ‘normais’. Acolham, incluam e respeitem a todos”, enfatizou.
A fisioterapeuta Ronara Machado, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), recebeu o laudo de autismo em fevereiro deste ano e relatou o processo de reconhecimento da própria condição.
“Eu tenho um filho autista e sempre lutei pelos direitos dele e para que ele fosse respeitado. Quando descobri que era autista, muita coisa fez sentido na minha vida, mas eu tive muita dificuldade de me entender como PcD e me mostrar para os outros. Foi no meu filho que me inspirei para, enfim, falar para as pessoas e aceitar quem eu realmente sou”, contou.
A Pessoa Além da Deficiência
As reflexões apresentadas no encontro reforçaram que inclusão vai além da abertura de vagas. Incluir significa reconhecer individualidades, evitar julgamentos precipitados, não subestimar capacidades e não restringir uma pessoa à sua deficiência. O acolhimento verdadeiro considera adaptações necessárias para garantir participação e autonomia, sem reduzir o outro a uma posição de fragilidade ou inferioridade.
O diálogo também evidenciou a importância da escuta sensível, do respeito às diferenças e da conscientização sobre deficiências ocultas, que muitas vezes não são percebidas, mas impactam diretamente a rotina de quem convive com elas.
O IgesDF segue empenhado em tornar seus ambientes mais acessíveis, suas equipes mais preparadas e suas práticas internas cada vez mais alinhadas ao compromisso de respeito, acolhimento e equidade para todas as pessoas.